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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Só Brincando


Tenho observado de uns tempos para cá, o intenso uso da palavra " brincar."
Quando ingressamos no mundo adulto, fazemos questão de esquecer o termo e seu significado.Agora somos gente séria, com responsabilidades. As brincadeiras ficaram pra trás, perdidas num tempo bom, que só é lembrando muito de vez em quando.

Pelo menos assim era o visto nos hábitos de gente grande. Só quem tinha uma profissão mais ligada ao universo infantil mantinha laço estreito com a arte de brincar e nem sentia vergonha por isso. Com a permissão da profissão, podia-se dar total liberdade à criança interior. Essa criança que foi pouco a pouco sufocada pelo crescimento e acabou quietinha lá no fundo da memória.
O mundo adulto a tudo controla debaixo de leis sisudas, onde não há lugar para brinquedos e brincadeiras.

Alguns ousados se rebelaram contra isso e foram taxados de desvairados, insanos mesmo. Mas, a bandeira içada não pararia mais de tremular nos mais variados cantos do mundo, lembrando que nas brincadeiras existe muita coisa séria e real a ser vivida. E o movimento de insurreição ganhou adesão total das artes em suas múltiplas manifestações, trazendo à cena o que a memória guardava.
E, nas voltas que o mundo dá, as crianças que um dia foram, começaram devagarinho a mostrar suas carinhas.

Hora apareciam numa tela pintada, noutra sugeriam brincadeiras numa exposição de arte, eram chamadas para testar  brinquedos novos...embora travestidas de adultos, muitas crianças voltaram a fazer parte da vida de pessoas que redescobriram sua alegria infantil. Ficaram mais leves, mais soltas, surpreenderam, emocionaram e fizeram um mundo melhor para si.


Imagens: Borboleta-Azul