segunda-feira, 30 de abril de 2012

Um peso, Uma medida


Suster nas mãos
pesar com alma
medir com amor,
nivela o eixo,
medida justa 
para os desejos.

Calu 

Imagem:portal.com

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Olhos de quem vê

A Ótica do Olhar
(trecho)

"Já se fizeram tratados sobre o olhar.A ótica do olhar, parece redundância, mas é coisa séria. Seríssima, aliás.
Escritores, poetas, sociólogos, psicólogos, todos já falaram a respeito dos significados que o olhar traz.Os românticos os veem sob a ótica do amor. Tito Madi,nos encantava na década de 60 com esses versos:"Quero todo teu olhar no meu, quero todo teu amor pra mim..."também cantamos todos:"Este teu olhar, quando encontra o meu, fala de umas coisas que nem posso acreditar..."[ ]

A importância que se dá ao olhar, sempre foi preocupação universal.Os russos tornaram imortais os "Olhos Negros".Os latinos nos ensinam:"Aqueles olhos verdes, translúcidos, serenos,parecem dois amenos pedaços de luar..."A canção portuguesa nos diz:"Teus olhos castanhos, de encantos tamanhos, são pecados meus..."Machado de Assis, nosso escritor maior, nos intriga com os olhos enviesados e dissimulados de Capitu.

Sem dúvida nenhuma, o olhar é significativo demais porque a um só tempo que enxerga o mundo, espelha a alma.Há quem veja sem enxergar, e há quem enxergue sem ver.Olhos alegres refletem alma alegre.Olhos tristes, refletem uma alma ensimesmada por angústias...[ ]
Ercília Pollice 
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Transcrevi aqui um pequeno trecho deste texto que me foi enviado por e-mail duma amiga querida, o qual me empurrou para lembranças fortes sobre minhas perspectivas do olhar.Para além de todas as belas referências poéticas deste amplo e abençoado sentido, sua abrangente existência nos possibilita enxergarmos sempre mais;basta querer.Com esta verdade, estimulei filhos e alunos a apropriarem-se desta capacidade "olhando com olhos de quem vê",expressão que usava muitas vezes ao dia, para todos os fatos, situações, conhecimentos, espaços, enfim, para todo o mundo próximo e o distante.Lembrava-lhes que os cientistas tinham olhos pesquisadores e fizeram descobertas importantíssimas para toda a humanidade.

A educarem o olhar para o certo, a natureza, as criações, as artes, as atitudes apreciáveis e as que não o eram, descobrindo se o que estavam vendo era louvável ou desprezível, afinal,os meios de comunicação sempre espalharam todo tipo de informação.O ideal seria haver um critério para as crianças e jovens frente à TV e outros similares, mas, se de todo, o controle for impossível, é educando os olhares deste público indefeso que se plantará o auto-critério acerca do que é visto. Não há garantias de sucesso completo, mas as sementes do olhar-crítico acabarão por germinar em muitos, talvez mais até do que pensamos.
A educação também se compõe de grande dose de esperança. 

Calu

Imagem:olhares.com(meninanajanela)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Reflexos de Abril


Mostra abril
em teus tons,
teus matizes
laminados
por um sol
alaranjado,
infiltrado
 entre cores
do outono
traduzido em 
teus múltiplos 
reflexos, 
nas  formas, 
contornos,
da tua luz
adornada 
espelho 
das horas
contadas
por tua 
história 
febril.   


Mostra abril 
teus vermelhos
ardentes,
sangue 
quente 
que jorrou
em teus dias,
em teus poros
refletiu
 se espalhou,
ganhou ruas 
e cidades,
 vibrou forte
arrebatou
dor e cor
de tua gente
luz pulsante
que vingou. 


Mostra abril
tua leveza,
alva flor 
que despertou
teus espelhos,
tua imagem
tida em dias
costurada,
em cada
 vida 
 que brotou.

Calu
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Esta foi minha participação na BC do Ideias Compartilhadas, com o tema: Reflexo.
Imagens:jardim das flores(tour).com

domingo, 22 de abril de 2012

Sobre o chão da nossa terra


Não é espanto pra ninguém o que já vem acontecendo há mais de 4 décadas nas grandes cidades brasileiras:a desmedida e voraz expansão imobiliária.Não tem muito tempo , contei por aqui os descalabros que acontecem em minha cidade, Niterói.Foram autorizados nestes quatro últimos anos a construção de 105 novos prédios de alto gabarito,  sem que tenha havido um estudo sobre o impacto ambiental e social disto.Claro, os cofres da prefeitura( ?) estão com a burra cheia , então que se dane o mundo; no caso nós, cidadãos contribuintes.

No início de janeiro, fui sondada por dois indivíduos a respeito de um suposto interesse em vender minha casa.Disse-lhes um Não tão redondo, que eles seguiram rua abaixo rapidinho, indo bater na vizinhança. Niterói tem estado nos últimos dois meses, nas páginas policiais dos jornais, mostrando um sorriso desdentado que lhe foi imposto pelo descaso do poder público municipal e estadual. Resultado: caos no trânsito, caos nos fornecimentos básicos de água e luz, caos na segurança, caos no cotidiano, antes tranquilo.

Embora o valor monetário dite as regras nestes casos, vê-se que está havendo um fortalecimento de outra moeda, que não é corrente, mas valiosa: o  espaço natural.Contam-se em pequeno número( creio),aqueles que possuem um espaço-jardim-quintal ou algo semelhante onde podem desfrutar de umas santas horas ao ar livre e ao seu bel-prazer. Depois da moeda-espécie, da moeda-tempo, chegou esta, a moeda-espaço, que sustenta sua força na resistência ao avanço imobiliário devastador.

Vi reportagens esta semana, sobre movimentos no Congresso para destombamento de áreas tombadas( reservas florestais urbanas) no Rio e em São Paulo.
A ganância dos empreiteiros e políticos não tem limites.Não tem,porém, não vão levar tudo na mão grande e ficar por isso mesmo.Ah, isso é que não!Vamos fazer muito barulho, muita participação popular, ainda mais neste ano de eleições.

Como disse Lulu Santos ao fim dum espetáculo, semana passada, numa cidade do interior, agradecendo às autoridades e á prefeita e sendo vaiado pelo público por isto, replicou:
"__ Quem elegeu a prefeita daqui, foram vocês!"
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''Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. (...) Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos (...).''  

Trecho de : Memória Inventadas: a infância,
Manoel de Barros

Imagem: Up-Altas Aventuras

sexta-feira, 20 de abril de 2012

2012 - Ano de Portugal no Brasil


Foto minha

Em meio à lida do dia, descobri que 2012 é o ano de Portugal no Brasil.Gente,fiquei passada com minha ignorância do fato.Como é que pode? Logo eu, neta de portugueses( aliás como grande parte dos brasileiros).

Nada justifica meu desconhecimento do evento.Ainda bem que é abril e tenho os demais  meses para curtir as celebrações que vem por aqui.Minha ligação com a cultura lusitana perpassa minha herança genética e alcança meus sentimentos de admiração e identidade.

Meus avós legaram muito dessa cultura em nossa convivência, principalmente na culinária,pois,cozinhavam divinamente e as datas religiosas passávamos todos em sua casa, donde recendia o aroma do bacalhau ao forno, dos bolinhos de bacalhau, do panetone salgado...e enquanto preparava esses quitutes deliciosos, minha avó cantarolava:" È uma casa portuguesa,com certeza,è com certeza, uma casa portuguesa!!"


Ouvi Amália Rodrigues no seu toca-discos, descobrindo os tristes lamentos do fado português em suas letras românticas.Sabia dar uns passinhos do Vira, que ela tentava nos ensinar, à nós,os oito netos, mas só as meninas se interessavam em aprender.Cantava o tiro-liro-liro enquanto a ajudava a por a mesa.Eu era a neta mais velha e me cabiam alguns destes pequenos afazeres nas reuniões familiares.Ficava tempos lendo no sofá da sala debaixo do quadro do mapa de Portugal e às vezes me perdia por aqueles desenhos, me imaginando em cada lugar do país.

O carinho e o interesse pela terra e pela gente portuguesa sempre esteve comigo.No ano de 2005, houve uma interessantíssima exposição sobre cidades portuguesas, aqui no MAC.Criaram espaços lindos com painéis de fotos de algumas regiões produtoras de Portugal, onde os visitantes caminhavam por sobre passadeiras plásticas dos mapas dos lugares em questão e apreciavam as fotos, alguns produtos, trajes típicos, relíquias e curiosidades.A interação era total.

Em 2008, tive o privilégio de conhecer ao vivo e em todas as suas cores, Lisboa e arredores, me encantando com cada pedacinho de vida e de história que via ali registrado. E nas asas da imaginação enxergar meu avô em uma ou outra esquina em meio a um papo numa roda de amigos. Levar minha avó pela mão através do Chiado, da Alfama, da Baixa,e por todos os demais bairros da capital.Saboreei delícias da minha infância, visitei os encantos da cidade.

Senti, respirei, ouvi e cantei as belezas e delícias da terra de meus avós e, pretendo regressar para estender os passeios por este lugar de minha história.Por hora, estarei atenta às celebrações que trarão um pouco de Portugal até nós.