quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aquilo que faz a diferença


A cada inspiração recolhemos do ar ambiente uma sensação. Aromas, frescor, frio, calor... e cada uma delas ressalta respostas que afloram nossos sentidos, ocupam nossos sabores, destacam nossos saberes, nos impelem e, nos motivam a criar.Queremos dar corpo àquelas sensações felicitantes, e uma das maneiras mais completas de o fazê-lo é cozinhando.Transformando os alimentos, elaborando pratos com sabores marcantes, criando gostosuras que permanecerão no paladar e nas lembranças de quem as provou.
Reunir emoção/criação/ação, produz alimentos que nutrem corpo e alma, comprovadamente. 
E, para confirmar esta alquimia, pedi a opinião de três amigas blogueiras.Culinaristas caprichosas e atentas ao sabor amoroso para cada alimento oferecido.  
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A amiga Gina, do www.nacozinhabrasil.com, escreveu:
" Quando a gente põe o espírito junto à execução do prato, ele tem 90% de chance de ficar bom.Envolve foco e motivação, provar e sentir o aroma, emocionar-se com as lembranças que nos remetem e querer agradar às pessoas que irão prová-lo." 
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A querida amiga Beth Lilás, do supremamãegaia.blogspot.com, nos conta que:
" Quando recebo em minha casa amigos do coração em momentos considerados especiais e mágicos, gosto de fazer algo novo, diferente e que marque aquele encontro.Da última vez fiz um pão enrolado que há tempos não fazia.Coloquei nele não só os ingredientes necessários para que a massa ficasse gostosa e macia,como também, toda minha melhor energia, carinho e vontade que ficasse perfeito. O resultado desta receita rica em energia positiva, veio no sorriso de aprovação de todos comendo com natural prazer; unindo e acolhendo nossa amizade em torno da mesa."
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E fechando estes deliciosos depoimentos, vem a amiga Rute, do publicarparapartilhar.blogspot.com, nos dizendo: 
" Muito antes de ser vegetariana, sempre tive dificuldade em tocar pedaços de carne e peixe crús, já não falo, "vivos".Acho que cozinhar é acima de tudo um ato de amor, por nossa família, por nós, pelos alimentos...inclui respeito e agradecimento. Na minha opinião, fazer da culinária um ato de sofrimento para com os outros animais não faz sentido." 
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Neste secular ato da preparação dos alimentos, junta-se tradição, empenho, dedicação e a magia que vai no coração. No romance de Francisco Azevedo, Arroz de Palma, a tia ensina ao sobrinho a preparar um arroz com lentilhas e assim o orienta:
[...]" lava o arroz em água corrente enquanto recitas: " espiguetas de uma só flor/flor querida de seis estames/fios de minha rica existência/recebo a benção agradecido/prosperidade/fruto de aprendizado e paciência".Retira o arroz do lume e mistura-o com a lentilha reservada.Ao misturar, recita e repete quantas vezes for: saúde e paz/é assim que se faz."
...não pela dificuldade, que é quase nenhuma.Mas pela devoção que o preparar espera!"


 Agradeço muito a carinhosa participação de todas para o compartilhamento desta postagem. Valeu, meninas! 

Imagens: bnk7.tumblr 
tudogostoso.com

domingo, 28 de outubro de 2012

Sou como sou


Sou forma,
e muita cor,
sons tinentes,
vasto amor.
Sou brisa 
e,também 
ventania.
Sou choro,
sou alegria.
Sou uma e 
sou muitas. 
Pel'eriçada
em palavra 
lançada,
esperança
acontecida.
Sou forte,
fraca,
 lamento, 
mágoa,
sou pedra 
lavrada,
sou onda 
batendo,
sou luz 
d'aurora,
sou vontade
rompendo.
Sou doce,
azeda,
sou mel 
e limão,
sou aroma 
bailando
em cada 
emoção.
Sou sonho 
e certeza
sou riso,
céu e chão,
sou todas 
e uma,
sou minha, 
sou tua,
profunda 
tradução. 

(Calu) 
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Fui presenteada pela Janice do Blog: assimassim.blogspot,/ com um selinho muito carinhoso, tendo como regra listar sete gostos ou características pessoais. Então vamos à tarefa.


1_ Sou uma eterna aprendiz e gosto disto.
2_ Gosto de gente, de bicho e da natureza ( copiei da Jan, rs)
3_ Gosto de repartir o que aprendo.
4_ Adoro ler e contar histórias.
5_ Sou tolerante até certo ponto.
6_ Adoro ter amigos(as).
7_ Curto muito as interações nos blogs. 

Obrigada, Jan pelo indicação.Daqui a um pouco o selinho estará na barra lateral, viu? Deixarei o convite aberto a todos(as) que quiserem levar o selo para seus blogs.Prefiro não fazer indicações e acabar esquecendo alguém querido(a);olha aí mais uma característica que não constou da lista acima.Fica sendo o 8º ítem, ok?
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E chegou mais um presente.Um novo selo ofertado pela Elisa T. Campos do Blog: pintandohaikai.blogspot/ que trago pra cá toda vaidosa com os carinhos recebidos. 
E para vcs apreciarem,aqui está um haikai, criação da Elisa Campos; 

"Uma flor vagueia 
Na tarde silenciosa
Mar de Primavera."

Obrigada Elisa, pela indicação.Logo este selinho estará fazendo companhia aos outros.Só não farei indicações novas pelo motivo que já expliquei acima, tá?

Uma ótima semana p/ vcs! 
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Imagem: 3bp-macrophotography.tumblr

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Blogagem Coletiva - Escritos Lisérgicos- Lendas Urbanas


Lendas que fascinam

Em menina adorava ouvir meus disquinhos coloridos na vitrola da sala de casa.Era uma coleção de doze discos de histórias infantis variadas.Havia um deles que me desafiava.Trazia na capa um desenho duma floresta sombria com uma figurinha estranha meio escondida atrás do tronco de uma das árvores.A história chamava-se: "O segredo da floresta".

Narrada em ritmo pausado, com fundo musical meio fantasmagórico, ia desenrolando um mistério sobre um ser estranho que assustava os moradores da vila próxima.Eu ficava ali sentada no chão com o ouvido grudado no alto-falante, desligada do mundo e com o coração aos pulos.Minha avó assim que dava pela coisa vinha correndo mudar o disco.Ralhava comigo, pois, sempre que eu ouvia aquela história acabava tendo pesadelos à noite.Ameaçava dar o tal disco eu choramingava pedindo-lhe que não o fizesse.Prometia não ter mais pesadelos e ela acabava concordando.Na verdade, ela estava certa, eu sentia um medo enorme daquela história embora soubesse o desfecho, mas o fascínio que me tomava por aquele enredo era mais forte e eu queria ouvir, ouvir e ouvir novamente sobre "O segredo da floresta". 

Por que estes enredos atraem tanto? Mistérios, assombrações, maldições,crimes insolúveis,o sobrenatural pairando sob o teto da realidade, fascinam, atraem a imaginação e despertam a curiosidade do possível fantasiado de impossível. Mais antigas do que supomos estas lendas sempre povoaram o imaginário de todos os povos.Atualmente ganharam o adjetivo de urbanas, porque a urbe se agigantou e com ela tudo o que era local tornou-se cosmopolita, virou livro, filme, seriado, caso-verdade e o que mais a imaginação dos contadores modernos pode criar.

Sejam urbanas, campestres, medievais ou atuais, as lendas do improvável, mas possível, continuará a disparar pulsações, espantar os olhares, visitar os sonhos de todos nós que não resistimos ao fascínio de um bom e velho mistério. 
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Essa foi minha participação na BC - Lendas Urbanas, promovida pelos blogs: Escritos Lisérgicos     ( Christian V. Louis) e Uma pandora e sua caixa.
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Imagens: educaçãoinfantil.com

domingo, 21 de outubro de 2012

Tradicionalmente


Romperam dois dentinhos de uma vez.Agora Valentina já tem um sorriso acompanhado.Apareceram no dia seguinte ao que fui lá corujar, por isso não saíram na foto do dia.O pai,quem viu primeiro, lhe deu uma camisetinha branca, como manda a tradição: quem descobre o primeiro dentinho do bebê tem que lhe dar uma coisa branca.E lá foi ele correndo cumprir o esperado; esta face tão cultivada, tão significativa em nossas vidas, as tradições. 

Se fossem representadas por uma imagem,eu escolheria as espirais, vindas dum ponto quase invisível, alcançando alturas inatingíveis ou como um prisma multifacetado. Tradições, costumes, rituais,cores e formas de um mesmo cenário que são, foram e serão repetidas através dos séculos, confirmando nossa conexão com antigos saberes e nossa fé neles.Sim, porque trata-se de um ato de fé no que foi ensinado, praticado e confirmado por nossos pais, nossos avós, os pais deles... 

Diferente de superstições, as tradições tem uma ligação direta com os rituais.São elos da mesma corrente que evolui e involui conforme as preferências. Há algo de tão forte nesta herança ancestral, que poucas vezes a renegamos.Alguns ajustes até acontecem, mas na essência, são elas, as tradições, que ajudam a contar as nossas histórias.Confirmam nossa cumplicidade às nossas raízes pessoais e sociais.

Cheia de simbologias, elas se incorporam ao nosso fazer e quase nem refletimos sobre isto.Quando sabemos que uma conhecida está grávida, já corremos pra comprar um par de sapatinhos vermelhos pro bebê.Brindamos as datas especiais, com champagne ( ou com um espumante,rsrs).Levamos flores ou gostosuras quando convidados(as) para um almoço ou jantar na casa de amigos. Se somos nós que recebemos, caprichamos nos comes e bebes e na decoração adequada.Gostamos muito de celebrar, e por que não gostaríamos? Celebrar é festejar quem somos, de onde viemos e até para onde vamos. È tradição festejarmos os acontecimentos felizes e ritualizarmos os nem tanto.Compõem nossa humana missão de nos recriarmos todos os dias. 


O cinema cumpre bem o papel de divulgador das tradições através dos tempos.O filme "Chocolate"(2000), homônimo do romance de Joanne Harris, com Juliette Binoche no papel principal como Vianne Rocher, filha de um cientista francês e uma indígena da América latina.A tribo a qual pertencia a mãe de Vianne, tinha por tradição espalhar os benefícios do cacau pelo mundo, mandando suas mulheres nessa missão. 

Tanto quanto agregam, as tradições também podem afastar as pessoas, aí cabe a cada um unir ensinamentos e bom-senso para conseguir um equilíbrio na questão, porém se não houver jeito, a escolha pelo que é benéfico pesa no fiel da balança. 
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Imagem: superscience.com 
cinedica.com

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Por fora bela viola.Por dentro...

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Este filminho é tão conhecido em curta como em longa metragem,e não falo da produção oficial dos estúdios Disney, não.Falo da ficção que imita a vida ou vice-versa. È mais velha que andar pra frente a história do príncipe que virou sapo.Assunto dormido? Isso não acontece mais nos dias atuais? Ledo engano, ou melhor lenda enganosa que se reconta pra todo lado.

Foi assim( Era uma vez), uma jovem dentista, recém -formada e seu príncipe-consorte amável, estável,um sonho de homem. Casaram-se três anos atrás e foram morar noutras e longínquas paragens.Durante o curto noivado, as muitas responsabilidades dos estudos e os preparativos para o casório tomavam os dias dos dois pombinhos.Uma rusguinha aqui e ali perfeitamente compreensível entre dois apaixonados passava como questão normal no relacionamento do casal.

No entanto, esta tal normalidade perdeu o título assim que se estabeleceram na nova moradia.O galante príncipe  começou a ficar "verdinho". Proibiu-a de trabalhar, porque o salário dele era suficiente pros dois,justificando que, era mais importante ela estar sempre bonita pra ele e não se stressar com trabalho.Ditava as regras duma boa esposa     ( segundo sua visão torta) e esperava que ela cumprisse todas. Em espaços públicos vigiava o que, ou quem, a esposa estaria olhando e a torturava com acusações e ameaças. O clima de tensão psicológica só aumentou com o tempo.A tirania a que ela era submetida parecia coisa de filme.

Mas como é possível uma coisa destas?__dirão vocês.Por que ela não separou-se logo deste homem?Vergonha? Medo? Fé na mudança? São estas mesmas perguntas que hoje se faz a mãe dela, uma boa colega que encontrei nesta semana e me desabafou essa angústia.Diante das famílias, o casal encenava uma vida perfeita, cheia de carinhos e atenções.Após quase três anos de casamento, ou melhor aprisionamento, a jovem não aguentou mais e ligou pra família contando a verdadeira história e os pais foram buscá-la, mas o terror não acabou ali.O marido ameaça-a sempre que pode e se diz injustiçado. Ela está altamente melindrada e receosa de retomar o ritmo de vida normal.A violência psicológica que sofreu deixou marcas n'alma. A família a cerca de cuidados, mas sabe que só o tempo amenizará as dores.

A desculpa do ciúme mascara comportamentos vis que descambam pro absurdo, estragam relações e mancham vidas.
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Imagem: educacaoinfantil.com