(by Tica)
Quando em aproximadamente, uma década à frente, estudantes ao abrirem seu livros( ou seus tablets) nas páginas da história contemporânea se depararão com os registros do ano de 2020 que estarão descritos mais ou menos assim:
" Nesta época que viveram, nada, mas absolutamente nada, fazia sentido[...]" (Clarissa Estés).
Nem tanto, nem tão pouco, mas há porções significativas carentes de sentido, de compreensão, de familiaridade. As circunstâncias nos atropelaram os dias de forma comunal remexendo com certezas e aflorando brutalmente as incertezas . Da noite para o dia ficamos indefesos. Caíram por terra nossas convicções de possibilidades. Podíamos tudo. Liberdade não tinha limites. O mundo não tinha distâncias. Tudo era atingível, palpável.
Agora, tudo está inatingível. Cada dia cabe em suas 24 horas de incredulidades e inseguranças frente ao invisível. Tudo pode mudar de um instante ao outro. Antes, também podia, porém, não nos dávamos conta da extensão desta circunstância. Nestes quase três meses de isolamento, a insegurança faz plantão à nossa porta e todos os cuidados e preservações deixam rastros de dúvidas. Ficamos um tantinho paranóicos, passamos a sofrer de TOC e, isto se torna perfeitamente normal ante tudo que aí está.
Mesmo não tendo uma opinião cristalizada sobre estes tempos estranhos, fico com forte impressão que muitas das antigas prioridades serão redimensionadas diante das verdadeiras necessidades de bem estar.Temos tido todo tempo do mundo, quando antes reclamávamos de tê-lo em reduzido aproveitamento. Nossos espaços ganharam ressignificações metricamente silenciosas abrangendo percepções e opiniões.
Acredito, sim, que mudanças ocorrerão na visão de mundo que existia em cada um de nós.










