quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Miudezas








Eu contei e não mostrei, como apontou a Ruthia, bercodomundo.blogspot.com, em comentário no post anterior.Então, voilá: assim ficou o corte novo, que já está até mais compridinho pois, passou-se um mês e tal desde o acontecimento e outros mais como lhes contei aqui.Desconfio que estou sofrendo de esvaziamento de assuntos, ai meus sais!Mas, não estou podendo destacar temas tristes, não agora, não por enquanto.E, como estamos assolados de assombros devastadores, volto-me pro meu umbigo.E hoje foi um dia pontualmente revelador disso.Precisei ir na velha casa buscar uns artigos que lá ficaram.Fui só e só me reencontrei com aqueles espaços tão queridos, cantos e coisas tão familiares, cheiros e formas tão reconhecidas.Bateu uma saudade doída.Sacudi a cabeça como se isso afastasse os sentimentos e até mesmo me repreendi por estar dando corda ao apego, acintosamente.
Em parte me confortei.Em parte cedi ao desconforto.Sei que os motivos da mudança são mais que necessários e justos, mas lá dentro , bem reservadinho ficou essa saudade calma da velha e amistosa casa que me acolheu nestes últimos dez anos.

Pra sacudir a poeira e dar a volta por cima, reproduzo um trecho do artigo do Bruno J. Gimenes:



 Como ser livre de verdade

"Desenvolvendo a capacidade de se desapegar, de principalmente entender que a sua felicidade não depende necessariamente de coisas, bens ou conquistas materiais.

Isso não quer dizer que você não poderá aproveitar bem as coisas do plano físico, claro que sim! Senão a gente nasceria em um plano espiritual. E por que nascemos no plano físico? Porque aqui se reúnem as condições básicas para o espírito de qualquer pessoa evoluir. Porque o nosso aprendizado espiritual inclui desenvolver o equilíbrio sobre as coisas materiais e o apego. Por isso precisamos nos entender com as coisas da Terra". Não podemos ser hipócritas dizendo que o dinheiro é ruim ou que traz problemas. De maneira alguma, já que os problemas e infelicidades são oriundas da mente humana sintonizada em frequências baixas. O dinheiro é a energia da terceira dimensão. O dinheiro é o fluido vital do mundo físico. Mas como toda energia, ela pode ser usada para o bem e evolução espiritual, como também para a destruição e para o mal.

A pior escravidão é aquela que acontece em função dos apegos, em que a pessoa tem a ilusão que precisa necessariamente de coisas e pessoas para ser feliz. Muitos atribuem a arte de encontrar felicidade a uma relacionamento ideal, a um emprego bom, um carro do ano, uma casa na praia. Todas essas coisas, se aproveitadas com equilíbrio, podem complementar felicidade na vida de qualquer pessoa, jamais completar, o que é bem diferente. Complementar quer dizer aumentar algo que já existe. Completar quer dizer preencher algo que está vazio.

Ninguém, externamente, pode completar dentro de você um vazio que você pelo seu descaso, ou descuido consciencial, gerou. Se você gerou internamente esse vácuo na sua alma, também é internamente que você conseguirá criar soluções para abastecer esse vazio.

As pessoas e coisas materiais podem sim lhe servir de veículo para que você aprenda o mais rápido possível como evoluir e, definitivamente, achar internamente a solução. Na verdade, essa é uma das principais funções de todo o externo: ajudar a entender o interno[...]


O desapego são as asas da liberdade, pois se você entender que cada ser tem sua missão, que cada pessoa tem uma finalidade e que tudo, na verdade, é temporário, mas que a alma é imortal, provavelmente, você já comece a encontrar um certo conforto."


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Vamos nos alimentando de boas reflexões, bons conselhos e claras escolhas pra guarnecer nosso caminhar.





segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Pra começo de conversa...






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Por pouco conseguiria assinalar um mês certinho desde a última postagem e isso  não é motivo de comemoração nenhuma, apenas o velho mote que desata conversas compridas: o tempo; que se foi, ou que virá a ser.Neste período tanta coisa mudou em minha vida que nem sei por onde começar a contar, até porque ainda me perco no fio da meada, daqueles que estão tão escondidinhos no novelo que a gente peleja com cuidado pra achar sem parti-lo ou danificar outros.

Pois então, assim o fiz para encontrá-lo e no ato deste achado vejo que ele não tem maior importância na trama que se iniciou.Foi apenas um fio inaugural, tipo os que são cortados com tesouras gigantes em cerimônias espalhafatosas.Comigo não houve foguetório nem discurso.Foi simples e linear.Tem de ser e pronto.De repente, o que eu tinha como certeza deixou de existir num lampejo de luz e redesenhou minha vida.

As necessidades que se impuseram giraram a roda-viva e me trouxeram pra cá.Mudei de casa, mudei de rotina, mudei de entorno, mas continuo eu, de cabelo mais curto, de óculos multifocal, agenda nova, tempo corrido, saudades de vcs e fé esperançada.Minha música-chiclete do momento é a composição da Ana Carolina:" Vou deixar a rua me levar, ver a cidade se acender..."

Parece frase feita e talvez seja mesmo, mas sou testemunha vivencial de que o que há de mais certo nessa vida é a mudança.Ciclos se abrem e se fecham sem aviso.Quando eu poderia supor que a esta altura do campeonato tudo no que eu acreditava estabelecido se desvaneceria no ar e nenhuma das certezas antigas quanto a isso ficariam de pé.Quando? Nunquinha. Minto: aconteceu e já faz um mês.E daí? 

Daí que não estou me lamentando e nem olhando pra trás com pesar.Fechou-se um ciclo pra outro abrir-se.Que venha carregado de positividades. Agradeço aos céus ter podido atravessar as mudanças com determinação.Agradeço a possibilidade de renovação, de melhorias pessoais.Agradeço pelos ventos que sopraram, mas deixaram meu espírito de pé apto pra realizar as ações precisas.Agradeço o carinho das amigas e amigos daqui e daí que me deram colo e carinho. 

Vida que segue... e que maravilha que Ela assim o faça.

Devagar e sempre retomo esse cantinho querido e o convívio com vcs, que me é muito caro.



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Imagem: Tumblr





terça-feira, 11 de agosto de 2015

Batendo panelas







Um pézinho de vento irrompe sala adentro me chamando a plenos pulmões:
__ "Vamo batê panelas, vovó?

Agora arruma-se uma boa explicação do porque, não."Hoje não vai dar, não é pra acontecer"; ora, porque não, me perguntam aqueles olhinhos vivos e buliçosos. "Porque, naquele dia as pessoas estavam fazendo barulho em sinal de protesto, zanga com umas coisas malfeitas que andam acontecendo por aqui."Aqui, onde, quis saber a torneirinha perguntadeira.Suspiros( meus), ânimo e empenho pra conseguir explicar a farra do dia do último panelaço, Nós três, eu e as duas netinhas fazendo a maior algazarra de panela e colher de pau nas mãos, rindo muito da zoeira ecoada por todo o quarteirão.Eu, ciente do que acontecia. As duas, curtindo de montão a bagunça ensurdecedora.Três gerações a participarem da mesma manifestação, embora por motivos diversos, porém francamente significativos em sua determinação: a expressão/comunicação.

Dissemos, cada uma em seu intento, nossa declaração: de repúdio, de barulho, de participação.Sonoramente ritmadas, seguimos a marcação repercutida pelos ares por outros tambores de alumínio a ressoarem a convocação.Confesso não ter tomado conhecimento dela pela web, já que tenho estado ausente em grande parte de meus acessos internáuticos.Foi na chamada do programa na TV que entendi logo a movimentação que se daria mais tarde.E compareci ou melhor, comparecemos, as três integrantes dos tambores da cidade; o que me sugere até um nome de bloco pro próximo carnaval.

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Assim, minha gente amiga, com esse pequeno caso-verdade, retorno com imensa satisfação ao nosso convívio por aqui, agradecendo de coração cada palavra carinhosa, cada incentivo, cada voto de restabelecimento pro marido adoecido.Ele segue em tratamento, mas ainda requer cuidados mais dedicados.Na medida do possível retomarei as visitas aos blogs amigos e aliviarei as tensões do dia-a-dia lendo e interagindo nessa nossa blogosfera particular que me é tão querida.Obrigada, pessoal!


Pra fazer um contraponto, deixo abaixo um pequeno trecho extraído da revista História, sobre os "Tambores falantes": o telégrafo da selva.Comprovamos que a tecnologia se faz de muitas maneiras através dos tempos.

Tambores falantes": O telégrafo da selva

Na África, mensagens instantâneas surgiram muito antes do que no Ocidente

Texto Fábio Marton | Ilustrações Victor Zalma | 10/01/2014 17h7

Em 24 de maio de 1842, o capitão inglês William Allen comandava um vapor próximo à foz do Rio Níger, na atual Nigéria. Era o final da catastrófica expedição organizada pelo parlamentar Foxwell Buxton com o nobre propósito de convencer os chefes tribais a pararem de vender escravos - e o não tão nobre assim de mapear a região para exploração e início de acordos comerciais. Um terço da tripulação europeia havia padecido, quase todos por doenças tropicais. Em sua cabine, Allen fazia perguntas sobre o rio a um navegador nativo, a quem, sem conseguir pronunciar o nome original, apelidou de "Glasgow". Ouviu-se então o som dos tambores, o que costumava ser enervante para os europeus. Eles não só achavam a música rústica e desconcertante como sabiam, desde os primeiros contatos com os povos da região - pelos portugueses no século 15 -, que podiam ser usados como um chamado de guerra.

Glasgow ficou emudecido ao ouvir a música. Abordado pelo capitão, ele respondeu num inglês quebrado: "You no hear my son speak?" (algo como "Você não escuta meu filho fala?"). Perplexos, os ingleses disseram não ouvir voz nenhuma. Glasgow continuou: "Drum speak me, tell me come up deck" ("tambor fala mim, diz mim subir ao deque"). Surpreso, o capitão foi ao convés e deixou o africano na cabine, descobrindo que a música vinha de uma canoa ao lado do navio. Pediu então a seus intérpretes que dissessem ao nativo na canoa para transmitir mais mensagens. Glasgow entendeu e repetiu tudo perfeitamente.


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Imagem: clipart/ eltallerdemuni




terça-feira, 4 de agosto de 2015

Um "Oi" aos amigos queridos.


Olá pessoal que está sempre por aqui lendo os deliciosos textos da amiga Calu!
Quem vos escreve é a amiga Beth Lilás para dar um recadinho dela, pois, no momento, está sem possibilidades de escrever em seu blog e visitar todos os seus amigos, mas tem se preocupado em dar notícias e não deixar tanta gente bacana sem entender sua ausência.
Calu teve que enfrentar uma mudança repentina em sua rotina diária para o tratamento de saúde de seu marido, além de problemas técnicos com seu computador que continua parado, esperando a vez de ir para o conserto, já que ela está priorizando total atenção neste momento à sua casa e sua família.
Mas, em breve, ela assim espera, voltará ao convívio agradável da blogosfera.
O post abaixo foi escrito em outubro de 2012 e reedito agora para quem não o leu à época.
Obrigada pela atenção!


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Brincando de novo



O amor instantaneamente desaba sobre nossa alma, nosso espírito, nosso coração ao primeiro olhar daquela coisinha miúda e linda que aparece nos braços do pai do lado de dentro do berçário.Pronto, está comprovada a existência do "amor-á-primeira-vista", e fica combinado que ele só aumenta, só viceja e nos faz ainda mais completos nessa abençoada convivência com os netos.Parece que se passa uma borracha na evidência do tempo e curtimos com eles muitas brincadeiras como se tivéssemos a mesma idade. Verdade que, depois que a rotina volta, vem com ela alguns "ais" dos ossos mais exigidos, mas nem ligamos muito, um remedinho aqui, uma caminhada ali, bolsinha de gelo e estamos tinindo outra vez para mais uma rodada de pique-esconde.
Vivemos profundamente a vida com cada um dos filhos.Revivemos intensamente e melhor, com todos os netos.

Encontrei nesta passagem do livro que estou lendo" O arroz de Palma", de Francisco Azevedo, uma importante confirmação desses sentimentos que alimentam nossa energia vital: 

"...Sou 8 e 80=88, dois infinitos verticais,boa idade.[...]
Volto para cozinha com ânimo redobrado e a certeza de poder abraçar o mundo sem nenhum esforço. Mente quem diz que velho vive de memórias e jovem vive de esperanças.Eu vivo das duas. Memórias e esperanças temperam os meus atos, dão gosto   ao meu presente.Agora, por exemplo, como qualquer rapazote ambicioso, sonho com um futuro brilhante à minha frente. Não perco tempo conjeturando se futuro distante, se futuro imediato. Futuro, ponto.Com todas as delícias e aflições do não saber. Com toda expectativa, com toda ansiedade daquele que, apesar de medos e dúvidas, espera o melhor.É isto mesmo. Confio, acredito, levo fé[...]" 
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Sinto total empatia com esta gloriosa maneira de olhar a vida!
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Imagem: by Calu





segunda-feira, 8 de junho de 2015

Janelas Oportunas - tempo de descobertas








___ Ôba, Pop-Corn! Com esta exclamação, meu neto anunciou sua alegria ao saber que eu iria fazer sessão pipoca pra assistirmos pela milionésima vez o filme Enrolados.Acho uma graça essas espontaneidades em outra língua.Não sou a favor de exageros e muito menos de exigências descabidas às crianças.Cada etapa deve ser respeitada dentro do ritmo de cada um, de preferência.Bem sei o quanto isso é minucioso e complicado, porém não pode ser descartado por nenhum professor(a) e deve permanecer como preocupação constante.Mas, de uns tempos pra cá tem sido incluído ao currículo de algumas escolas, o estudo( apresentação básica) duma língua estrangeira que de forma suave vai familiarizando os pequenos e os maiorezinhos aos ditos e nomeações mais rotineiras na língua em estudo.Meu neto, Miguel, está aprendendo as cores, nomes de bichos e materiais escolares em inglês e, me parece interessado, o que é bastante confortador, afinal ele tem cinco aninhos.O que não significa nenhum empecilho pra novas aprendizagens, ao contrário, esta fase é marco inicial pra avanços, porém sem cobranças indevidas e muito menos obrigações pesadas.Tudo tem de ser lúdico, fantástico e historiado, conduzido com naturalidade e perseverança pelos facilitadores/professores e pelos pais também.
___Potes cheios, todos no sofá.A sessão vai começar.Roda o filme, pessoal!



 A plasticidade cerebral dos pequenos e jovens tem sido campo de estudos extensos.Destaco abaixo um pequeno trecho do livro:O cérebro, guia para o usuário, de John Ratey:

"Todos nós temos testemunhado como é muito fácil para uma criança captar uma segunda língua.Numa família americana que foi transferida para Tóquio por um ano, o filho em idade escolar aprendeu a conversar em japonês enquanto sua mãe ainda se debate para conseguir uma comunicação básica.As crianças expostas a duas línguas desde o nascimento aprendem a falar ambas com fluência.Patrícia Kuhl, pesquisadora linguística da Universidade de Washington, gosta de dizer que todos os bebês nascem " cidadãos do mundo", querendo com isso dizer que eles podem aprender perfeitamente qualquer língua.Não importa onde um bebê está sendo criado: ele ou ela pode distinguir as sutis pistas auditivas típicas de qualquer língua não-nativa e está presumivelmente apto a aprender qualquer linguagem ouvida."


Eu também testemunhei, por vezes, esta afirmação da pesquisadora.Tive, em certa ocasião, em sala no segundo ano do 1º ciclo, uma aluninha brasileira, filha de mãe espanhola, que se comunicava fluentemente nos dois idiomas, o pátrio e o materno.De outra feita, recebi no meio do ano letivo, no quinto ano do 2º ciclo, um aluno alfabetizado e cursado nos estudos em francês, filho de pais brasileiros,também desenvolto nos dois idiomas, o complicador ficou na escrita.Levou uns meses para firmar-se na escrita em português.Tive ótimas notícias dele nas séries mais adiantadas.



" O desenvolvimento do cérebro no feto e no bebê ocorre através de uma série de períodos críticos, " janelas de oportunidade", quando as conexões para uma função são extremamentes receptivas à informação." 
( o mesmo)




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Imagem: pinterest/rosademaio)