sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Do que não se pode esquecer








Se a gente grande soubesse
( Billy Blanco)

" Se a gente grande soubesse
o que consegue a voz mansa
como ela cai feito prece
e vira flor, 
num coração de criança.
A gente grande que tira
o meu brinquedo da mão
tirou de um músico a lira
interrompeu a canção.
De tanto não que eu escuto
o não eu vivo a dizer
eu não sossego um minuto,
é natural
eu não parei de viver.
A gente apenas repete(tal e qual)
tudo que escuta e que vê, ( não leve a mal)
Pois gente grande eu queria
ser um dia
todo igualzinho a você [...]"



Neste mavioso conjunto de letra e música, o compositor Billy Blanco deu voz às crianças de hoje e de sempre, traduzindo com terna sensibilidade os gostos e jeitos do ser criança,cantando em versos a beleza dos desejos infantis. Uma música que enternece e faz pensar com carinho sobre nossos "atos adultos."


"__Eu nunca vou esquecer a forma que meu pai me acordava cantando todos os dias.Me sentia segura."
( Marisol_ filha de Billy) 




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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Em busca do rio perdido - lugar dos sonhos / semana colorida








Sempre me dá uma enorme lamentação quando tenho de passar por uma rua cortada pelo asfixiado filete que um dia foi um rio. Há décadas já não apresenta nem vestígios disso, ao contrário, é uma réstia lodosa que se arrasta maleficamente em direção a uma gigantesca manilha que o engole de nossas vistas, acho que dali segue pelo subsolo longe do ar, mas creio eu, perto ou pra dentro do mar.Triste realidade que vemos por séculos nas nossas cidades transbordantes de agressões à natureza em todas as suas presenças no espaço agora urbano.Além da implacável falta de cuidados com o meio-ambiente juntam-se outras faltas conhecidas: descasos do poder público, crimes ambientais de todos os tamanhos, atropelos insanos baseados em estudos que ninguém vê ou sabe se realmente existem e por aí vão estas e outras escabrosas práticas a ferirem a natureza e a decretarem consequências sérias para a vida do planeta.




Encontram-se casos assim com toda facilidade, infelizmente, mas encontram-se também iniciativas protecionistas que mostram ser possível preservar a natureza sem grandes esforços da vida urbana e melhor, interligando os espaços e promovendo uma convivência mais saudável.Li sobre um projeto muito bacana chamado "Rios e Ruas", que realiza expedições pela cidade de São Paulo para descobrir rios soterrados.A grande maioria de nossas cidades é riquíssima em cursos d'água ou rios de pequeno porte e, no caso de São Paulo, numa mesma quadra pode haver um ou mais cursos d'água canalizados, soterrados, os quais a expansão urbana desordenada soterrou ainda mais.Mas, eles continuam lá,sobreviventes.

 Diante da calamitosa situação por que passam os paulistanos e os paulistas nestes tempos de extrema estiagem,o resgate de alguns de seus próprios recursos hídricos castigados ao longo dos tempos pode trazer alguma boa iniciativa que amenize toda esta secura.O "Rios e Ruas" faz uma campanha para levar a mostra de suas pesquisas ao Parque do Ibirapuera onde milhares de pessoas terão acesso á elas e poderão influenciar sobre os resultados que poderão advir delas.

Pra que a gente não fale só da aridez reinante, foi lançado pela FTD, o livro "Entre Rios", que reúne textos de sete escritores sobre os rios de suas infâncias ou com o qual se identificam. Primeiramente dedicado na categoria de infanto-juvenil, eu tomo a liberdade de indicá-lo para todos os olhares.Como se já não bastasse a promessa de belos textos de Moacir Scliar, Domingos Pellegrini e outros autores consagrados, ainda recebe o capricho esmerado dos desenhos de Roger Mello.Por tudo e muito mais este já está na minha lista de próximas aquisições.




"Mais do que maravilhas da natureza, os rios têm tudo a ver com nossa cultura, nossa história e nosso afeto."
( Mª José Silveira - organizadora)
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Emendando nessa prosa entre rios e lembranças, a semana colorida da Anne Lieri fica aqui também registrada sob o murmúrio das águas translúcidas ( assim esperamos que sejam todas).




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Imagens gentilmente cedidas pela Cristina, do brasillestepaulista.blog (AQUI)

Fonte: blogs/estadão__Tata Amaral



domingo, 7 de setembro de 2014

Entreouvidos no jardim





"Prepare o teu coração, pras...conversas floradas."



" Sempre tive o hábito de me agarrar nas grades como qualquer bicho preso.Ficava ali olhando a rua e as pessoas, só pra depois poder contar[...]"





" Temia o vento que arrasta consigo o que não queremos perder e joga areia nos olhos.Tinha razão.Quando nasci me esperavam esses dois destinos.Escolhi os dois [...]"






" Peguei o hábito de me encarapitar numa parte que era mais baixinha e contei a uma delas que ficava ali por causa da música[...]" 






" Para ele tudo era evidente, não devia explicações, nem de onde vinha nem para onde lhe levariam seus próximos passos. Estava ali , ela era bela, ele era alegre, e o fim de tarde ouro velho coloria o cenário em que se conheceram[...]"

( Rosiska Darcy de Oliveira)*





Em setembros prometidos, ares floridos se emolduram nas horas, desenhando cores e aromas, singelezas delicadas a adornar a vida!


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Muitos e variados jardins estão enfeitando a blogosfera, aquecendo os corações, trazendo suavidade ao olhar, anunciando a beleza que esperamos encha todos os lugares.Flores ajudam a colorir a vida e são prenunciadoras de carinhos especiais, como os que espalham a Chica, e a Rosélia.




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*Excerto de " Chão de terra", Rosiska Darcy de Oliveira.
Imagens: pinterest

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O mesmo nome, duas mulheres, duas histórias








Tratar a vida em toda a sua plenitude é um dos pilares do bem-estar completo.Corpo, mente, espírito (alma) e ambiente interligam este quarteto vencedor, muito buscado, defendido e aprimorado pelas ciências físicas, naturais e psicológicas e, para além delas; questões que se apresentaram nos últimos 40 anos despertando a sociedade para a importância de outros fatores singulares, mas cruciais ao alcance deste estado de vida plena.

Cada sistema interfere noutro e a corrente se intensifica, evolui ou involui conforme as circunstâncias e deflagra suas consequências, boas ou más. Por vontade própria ninguém, em sã consciência, vai querer quebrar a sincronicidade harmoniosa que poderá estabelecer a afinação destes sistemas, só que ninguém está livre de tê-los quebrados pelos malgrados e, aí é que se dá a desafinação e, todo cuidado é pouco para que ela não se perpetue.

Lendo na coluna do Ancelmo Góis, a entrevista dada pela cientista política Lúcia Hippolito, sobre a doença autoimune que a acometeu em 2012, diagnosticada como síndrome de Guillain-Barré, que leva à perda da habilidade de grupos musculares, provocando mudanças drásticas na rotina dos portadores desse mal, a comentarista conta sobre os inúmeros infortúnios que atravessou, seu desespero, medos e também as vitórias alcançadas, as quais ele devota principalmente ao amor do marido, sempre presente e cuidadoso.Um inestimável e reconhecido apoio que faz toda diferença.

Nos casos mais densos da reabilitação humana, uma visão holística ajuda e muito às diferentes práticas e tratamentos auxiliares baseados nas neurociências e demais faces que abrangem a multidisciplinaridade da fisiologia humana.Não são todos os profissionais ligados à área da saúde que têm esta postura holística permanecendo aquartelados em suas verdades, negando-se ao diálogo fértil e a promissora troca de informações entre si e, com isso relegando seus pacientes à uma meia-cura insatisfatória.

Pra nosso alívio, estes profissionais não são esmagadora maioria, embora façam presença, não conseguem obstruir outros que lhes provam em prática o quanto estão enganados nesta postura hermética.Um destes exemplos vitoriosos é o da Dra. Lucia Braga, presidente da rede Sarah de Hospitais, criada em 1968 e até hoje, símbolo de eficácia e humanismo nos tratamento de suas especialidades.Com um extenso e respeitado currículo, a Dra Lucia provou que além das técnicas utilizadas, o amor, a sensibilidade afetiva e a presença dos familiares representam sim, grandes saltos no caminho da cura dos pacientes.

Nascida em Porto alegre, mudou com os pais para Brasília na juventude e acompanhou todo o nascimento da cidade em suas mais remotas estruturas e, segundo ela, isso fez toda uma diferença em sua vida profissional:

"__ Era tudo novo. Tínhamos liberdade para criar o que quiséssemos.Havia uma diversidade cultural enorme.Não tínhamos compromisso para manter a ordem estabelecida(paradigmas), porque tudo aqui precisava e podia ser construído[...]"

E ela construiu, em cima dos estudos formais, uma abrangência de fatores a contribuir para o bem-estar completo de seus pacientes, estimulando a plasticidade cerebral e todos os sistemas à ela ligados, promovendo uma linha holística de tratamento reconhecida nacional e internacionalmente.








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Imagens: pinterest
google (ballet acrobático da China)



segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Até onde a vista alcança ?








" Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol do gramado; lá longe o palácio.Assim o jardineiro via o mundo, toda vez que levantava a cabeça do trabalho[...]Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus cuidados cabia, ninguém via.Plantando, podando, cuidando do chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com as estações.E se ás vezes,distraído, murmurava sozinho alguma coisa, sua voz  não se entrelaçava à música distante que vinha dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher..."(M.C.)*




Um olhar de dentro, lastima o jardineiro.Um olhar de fora, exalta a distância.Qual dos olhares fariam jus ao jardineiro e ao seu jardim?Bom, pra mim, seria ver e viver todos os verdes em boa e escolhida companhia.Nem sempre os salões trazem o real colorido da vida.






Pra começo de semana, pras horas distraídas, muitos verdes e claridades em seus dias!



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Imagens: pinterest
Excerto: A mulher ramada, Marina Colassanti, in: Doze reis e a moça no labirinto do vento.