Levante a mão aí,quem nunca rabiscou! Eu acho que serão pouquíssimos os apresentados.Uma tentação irresistível é ficar dando volteios com o lápis ou a caneta naquela pontinha final do caderno. E a última página, então? Essa é terra de ninguém. Enquanto o(a) professor(a) está lá na frente suando regras, os alunos(em sua maioria, né?)estão com um olho nele e outro na garatuja que surgiu no papel.
Uma bolota vira escudo do time.Uma linha, horizonte. Meio círculo, pode ser um sol, um bonequinho e quantas coisinhas mais a imaginação permitir.Mas, sendo justa, não são só os alunos não.Hoje, adultos,quem não tem um risca-rabisca na sua mesa de trabalho,heim? Ô trocinho bem bolado, este!
Já foi comprovado que rabiscar é altamente positivo para incentivar diversas conexões ao mesmo estímulo.Deve ser por isso, que em todos os seminários, palestras e afins, ganha-se na entrada a famosa pastinha com bloquinho e caneta para anotações.Boa desculpa, não é?Porém, uma das importâncias de tudo isso, está no nosso olhar sobre esta ação tão habitual e inocente com saudosas recordações do tempo de colégio, quando fazíamos de rabiscos, imagens, representações,cenas, figuras e o que mais dali surgisse durante o tempo corrido da aula.Inutilidades? De jeito nenhum.
Estávamos desenvolvendo nossa capacidade de interagir e responder ás múltiplas exigências do momento e nos esforçávamos para dar conta de tudo, até conseguindo,na maioria das vezes.E, sem muita consciência nos preparávamos para as responsabilidades da vida adulta, com leveza, usando da brincadeira e da arte como suportes para deixar a imaginação voar.
E agora? Quando temos nos dado esta chance novamente? Usarmos da brincadeira e da arte para suavizar a vida. Dar leveza ao que nos pesa. Dar simplicidade ao complicado?
Vivendo o nosso tão conturbado tempo, vejo a tremenda necessidade de voltarmos a rabiscar sonhos, a fazer dum borrão, um desenho animado e ajudar com lápis-de-cor a pintar carneirinhos no céu.
Precisamos dessas possibilidades para nos recordarmos que somos capazes de criar cenas bonitas, singulares ou plurais, mas sempre traçando um desenho melhor a cada página da vida.
Calu
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Imagens: RevistaSuper, Boysen-Home
















