Arte de Cathy Delanssay
Tem coisa mais corriqueira que uma escolha?Penso que não. Escolhemos todo o tempo, desde as coisas mais banais, como a cor da escova dental ao filme que vamos assistir, a uma mudança de casa ou de cidade.Inúmeros ditados populares sacralizam esse fato, tipo: "A vida é feita de escolhas", Se você não escolhe a vida escolhe por você..." Há muita crença nesta última afirmação.Quem já não ouviu dizer que não somos nós que escolhemos nossos bichinhos de estimação e sim eles que nos escolhem? Não duvido disso.Convivi com cãezinhos minha vida inteira e percebia as predileções dos animaizinhos por essa ou aquela pessoa da família.
Pois, há também, essa mesma crença com relação aos livros que lemos.Ao entrar numa livraria, às vezes, não tenho nenhum título decidido e vou fuxicando aqui e ali, lendo as orelhas, sabendo um pouco sobre o autor(a) e vou me deixando seduzir ou pelo título, ou pelo tema, ou pelos dois ou ainda por todo o conjunto que envolve uma obra.Não é de todo absurdo que um livro nos escolha.
Aconteceu comigo e fiquei uns dois dias meio perplexa com isso. Estava procurando um livro para presentear um amigo de meu filho que se encontrava em tratamento quimioterápico.Sem pedir ajuda dos vendedores, comecei a garimpar algo que fosse interessante e alegre.Logo me deparei com um livro que romanceava a batalha pela recuperação de uma jovem, em detalhamento, para o processo quimioterápico ao qual estava submetida.
Não resisti e levei-o, não sem certa dúvida se estava agindo certo. Consultei meu filho que apoiou meu gesto e minha escolha levando o livro de presente ao tal amigo.Um ano mais tarde, num almoço aqui em casa, esse amigo me agradeceu muito aquela leitura que ajudou-o a focar sua atenção na saúde e não na doença.
Digo para vcs: Tenho certeza de que o livro me escolheu!
" Os meus livros sempre foram coisas vivas para mim.Alguns dos meus encontros com novos autores(as) mudaram um pouco minha vida.Quando eu estava perplexa, procurando inutilmente definir alguma coisa em mim mesma, surgia um determinado livro e aproximava-se de mim como faria um amigo. Atrás da capa estavam as perguntas e as respostas que eu procurava."
Liv Ullman









