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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Saudades...de Clarice e minhas também


Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades…
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei…
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser…
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro…
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser…
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências…
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que…
não sei onde…
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi…
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês…
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados…
para contar dinheiro… fazer amor…
declarar sentimentos fortes…
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
“I miss you”
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades…
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência… 

Clarice Lispector


sábado, 28 de maio de 2011

Gente


Amo  Pessoas

Pessoas comuns
de alma limpa,
coração transparente.
Amo pessoas
que mesmo diante de dores
e adversidades não perderam sua essência...
Não possuem a pretensão
de acertar sempre.
Erram,
caem,
levantam-se,
recomeçam... 
                                  quantas vezes necessário for!
                                                 
                 Arnalda Rabelo                                                  


                                 Imagem: arte de Portinari  

sexta-feira, 18 de março de 2011

BANZAI

Completa-se hoje essa estranha semana de perplexidades. Dias sequenciais de desalento, tristeza e assombro diante de tanta tragédia. A cada noticiário que via, eu trazia lá no fundo d'alma um esperançazinha tímida de notícias melhores, mas só ouvia o drama de nossos semelhantes.
Um povo de tão rica cultura, de história tão sofrida e de tamanha capacidade de superação, vê-se novamente arrastado pela catástrofe.
E no Japão, como aqui, começava aquele dia rotineiro, de afazeres comuns, onde lá ia um homem apressado para o trabalho, outro indo ao médico, um terceiro às voltas com compras de materiais de construção sem perceber a mulher que passava ao seu lado levando pela mão os dois filhos à escola. A mocinha que aguardava toda contente o namorado universitário que vinha buscá-la na moto nova, dava adeusinho a vizinha na janela espanando a casa...Dia comum. Dia normal.
De repente, num revés da vida; uns minutos daquele dia mudaram tragicamente todo este cenário.Onde havia vida pulsante, já não há nada, só escombros e dor. Mas ainda assim, o povo japonês continua dando exemplos magistrais de civilização, educação e respeito em meio a todo sofrimento.
Estas são algumas das muitas expressões de beleza que este povo cultiva e exporta através de práticas milenares da vivência humana.
E como encantamento não se desfaz, desejo que todos aqueles que sofreram com as catástrofes,de lá e daqui, encontrem apoio, força e condições de fazer do que sobrou de vida uma vida novamente inteira.
Dentre as muitas artes japonesas, existe o haicai, um tipo de poesia onde a tendência é a descrição de uma cena e a inclusão de uma sensação a ela ligada. Para muitos esta expressão é uma prática espiritual.Uma oração.

"Este caminho
Ninguém já o percorre,
Salvo o crepúsculo.

De que árvore florida
Chega? Não sei.
Mas é seu perfume. "

Bashô Matsuo 

Banzai significa em língua portuguesa: "dez mil anos". Exprime o sentido de unidade, coesão e longevidade.
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Banzai para todos(as) vcs!!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Próxima Parada

Estação das Perdas



[...]Que a gente cresça e não envelheça simplesmente.. Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie... Que tenhamos rugas e boas lembranças... Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia... Que sejamos racionais. Mas, lutemos por nossos sonhos... E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo. Mas, ajamos de modo que aqueles a quem amamos, sintam-se amados mais do que saibam-se amados. Afinal, o que é o tempo?"


Aila Magalhães

terça-feira, 15 de março de 2011

Tantas Coisas


(...) Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem me lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei"... 

Martha Medeiros_Explosões_Coisas da Vida

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Palavras do Mestre


" Pegue um sorriso,e doe-o a quem jamais o teve.
Pegue um raio de sol e faça-o voar lá onde reina a noite.
Pegue uma lágrima e ponha-a no rosto de quem jamais chorou.
Pegue a coragem e ponha-a no ânimo de quem não sabe lutar.
Pegue a bondade e doa-a a quem não sabe doar.
Descubra a vida e narre-a a quem não sabe entendê-la.
Pegue a esperança e viva na sua luz.
Descubra o amor e faça-o conhecer o mundo!"

Gandhi   

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

DESEJOS



" Apesar de nossos apegos atuais,
nossas mágoas, dores, choques,
realizações, perdas, ganhos, alegrias,
o local que almejamos é aquela terra psíquica
habitada pelos velhos,
aquele lugar onde os humanos ainda são
tão perigosos quanto divinos,
onde os animais ainda dançam,
onde o que é derrubado
cresce de novo,
e onde os ramos
das árvores mais velhas
florescem por mais tempo.
A mulher oculta
que preserva o estopim dourado
conhece esse lugar.
Ela conhece.
E você também!

Trecho do livro" A ciranda das Mulheres Sábias"__ Clarissa Estés 


segunda-feira, 24 de maio de 2010

Cada parte de um todo

Já havia refletido há pouco tempo atrás sobre a enorme importância de cada parte de cada ser em todo universo. Claro, que nem ousei arranhar as descobertas do tema, mas dentro da minha diminuta perspectiva de um jardim, deixei-me levar por elaborações e comparações mais profundas de nós, das coisas do mundo.E, confirmando minhas pequenas observações, constato a cada dia em sua fração de tempo, a imprescindível importância do outro;do outro ser que como eu partilha das minhas dúvidas, dos meus anseios,das minhas buscas, de meus afetos.
Esse outro/outra figura par-amiga,confidente,ombro generoso, mãos dadivosas que sempre está ao alcance de um chamado nosso,de um alô, de um e-mail prontamente respondido e enviado junto com abraços reais transfigurados na dinâmica da web.
Eu tenho a sorte de ter conseguido, sem pretensões outras,tecer no fio que desprendo uma outra ponta que a ele se uniu há dez anos.Entre idas e vindas do tempos , das vidas, a"outra ponta-irmã" que me acolhe, me festeja e ajuda com sua solicitude natural e sempre presente.
Obrigada irmã-tecelã, Emília!