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terça-feira, 2 de junho de 2015

Driblando os "mas" intrometidos








Ficar olhando os ponteiros do relógio( hoje pouco usados) fazerem suas voltinhas costumeiras pode ser bem reconfortante.Dá-nos a impressão que tudo está conforme o planejado, bonitinho, azeitado.Isso tranquiliza tanto quanto vermos as anotações e marcações da agenda, seja ela física ou eletrônica,  fluírem direitinho a cada dia assinalado.

Muitos dirão que isso tem todos os sintomas dum distúrbio comportamental.Pode até ser,só que estou pra conhecer alguém que não se amue com resvalos em suas expectativas, embora, estejamos carecas de ler, ouvir, saber que o imprevisível mora ao lado e faz-nos visitas inesperadas.Que faz parte do show. Que tudo é aprendizagem.Que isso burila o espírito criativo que temos e nos faz superar obstáculos.Concordo em total anuência, apesar dos sentimentos que nos assombram em momentos desgarrados ao controle, temos sim, de aprender com eles e com perseverança construirmos degrau a degrau o escape desse "mas" bloqueador em meio ao caminho.

Palavras, aforismos, ditados, conhecimentos do tema são aliados importantes para as horas descuidadas, não por nós e, sim, pelo vértice dos acontecimentos.

Essa enxurrada de considerações veio depois de assistir a um vídeo do atleta Derek Redmond, enviado pra mim.Uma prova inconteste de superação realizada por ele na Olimpíada de 92 ao sofrer uma lesão na coxa em meio a prova que disputava, não se dando por vencido, protagonizou um episódio emocionalmente exemplar ao insistir em terminar a prova mesmo sentindo fortes dores.O estádio olímpico se uniu em ovação ao atleta que mancando, seguia resoluto em direção a marcação  final da pista de corrida. Cena marcante e inesquecível.






Pra que a gente estenda a reflexão destaco um trecho do texto de Roberto Shinyashiki em seu livro, Tudo ou Nada, sobre as superações do dia-a-dia, chamado:


Hora da Estréia


Eu vejo tantas pessoas que ficam esperando a hora de começar a viver...Elas sonham com o que a vida pode ser, mas na hora H, não partem para ação.
Existem sempre um "mas" no meio do caminho.
Sempre encontram um defeito na pessoa para não mergulhar na relação...
Sempre aparece um obstáculo no caminho, um desafio a ser superado antes de começarem a viver de verdade: um trabalho por terminar, uma conta a pagar, problemas no casamento, na empresa, com os filhos...
Fazem muitas coisas, mas sem intensidade, sem se expor nem se arriscar para valer.
Por não se darem conta de que o tempo está passando, vão desperdiçando a vida até que um dia percebem que, se ficarem esperando o fim dos obstáculos, sua vida nunca vai começar, pois eles sempre estarão ali, esperando para ser superados. Na verdade, esses obstáculos são uma parte fundamental da vida de verdade.
A compreensão de que não existe felicidade pronta é um dos primeiros passos para a felicidade. Afinal, ser feliz é viver.
Por isso, não adianta ficar esperando o momento e o lugar certo, a situação ideal, a pessoa perfeita para partir para a ação para estrear no palco da vida. O espetáculo não começa somente quando essas condições ideais se concretizam, ele está acontecendo agora.
Há, no entanto, pessoas que nunca conseguirão estrear no palco da vida!
Elas se formam em Jornalismo, mas nunca se tornarão jornalistas.
Elas têm filhos, mas nunca serão pais ou mães.
Elas se casam, mas nunca amarão...
Elas estão sempre se preparando e ensaiando e não querem assumir o risco de ver que sua apresentação não foi aplaudida de pé.
Acabam não vivendo de verdade, pois a beleza da vida se manifesta quando você se lança totalmente à cena, quando você diz sim à vida e abraça todas as suas tristezas e alegrias, obstáculos e superações, virtudes e defeitos.
É assim que nos entregamos ao jogo da vida: aceitando tudo o que ela nos traz mesmo que nos pareça difícil, pesado e triste demais. Porque viver é aprender a fascinante arte de arriscar. É desenvolver a coragem de ir ao encontro dos chamados da vida. 



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