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domingo, 24 de maio de 2015

Retalhos duma memória desconhecida








Fui tomada por uma sensação desconhecida, ali, frente à televisão assistindo a um episódio duma série de documentários sobre a musicalidade brasileira belamente apresentados em sequência histórica de acordo com os muitos gêneros originários da música brasileira.Em particular, o episódio a que me refiro detalha o cenário da música brasileira no pós-guerra, idos de 1948 a 1955 tendo como foco a trajetória da Pequena Notável, Carmen Miranda.Apesar da filmografia não trazer muita nitidez nas cenas,ainda assim não compromete de todo a visibilidade dos acontecimentos.Rola o rolo e o tempo passa saltitante de fato em fato musicado por cada época e seus artistas/cantores nos palcos famosos da cidade.

A narrativa segue entremeando os cenários e configurando a vida nacional em muitos pontos de vista a pincelarem o desenho das épocas.Como sou declaradamente apaixonada por essas viagens ilustradas nos tempos, o programa me conduz sem esforço por aqueles dias buliçosos, pela cidade fervilhante de novidades, os passeios públicos, as avenidas movimentadas daquela que já demonstrava sua vocação metropolitana.Os modismos, costumes, roupas, burburinhos, notícias, preocupações por aqui e lá por fora também, tudo encenado num fundo musical alegre e faceiro pela nossa Carmen Miranda que tem sua trajetória artística e pessoal contada nesse recorte.

Eis que chega o período do final: morre a Pequena Notável em solo americano e seu corpo é transladado para o Rio de Janeiro.Corte de cena.Nova cena.O cortejo fúnebre seguindo pelo aterro do Flamengo, as pessoas acompanhando o carro dos bombeiros e o cinegrafista mostrando cada detalhe do acontecimento, inserindo o dia acontecido, um sábado de agosto ensolarado, afagado pela brisa marinha a farfalhar os ramos das árvores, os lenços saudosos, os semblantes tristes...Assim entretida vi com espanto o dia em que nasci, aquele 15 de agosto de 1955 transcorrer na telinha em preto e branco, mas tão colorido aos olhos meus; coisa inédita pra alguém de minha geração sem nenhuma parafernália cinematográfica existente.Pude unir os relatos familiares ao agora visual e fundir numa só cena aquela manhã que me trouxe à luz.Pronto, a primeira página de minhas memórias está iniciada.


Imagens da época

(Cassino da Urca)


(Carmen Miranda)





Imagens: royalrio.net
pilha.vrc-puc.com