Ao ler o comovente post da Ana Paula, ladodeforadocoração.blogspot, voltei num lufada de vento antigo aos tempo idos e queridos da minha primeira gravidez.Tudo recentemente novidadeiro e um tanto perturbador.O desconhecimento, as mudanças rápidas em todos os quadrantes do corpo, perguntas orbitando o pensamento e poucas respostas sólidas pra a inexperiência sentida, preencheram aqueles dias de muita inconstância.Longe da família, longe da cidade familiar, tudo era novo e também desconhecido.
Aos pouquinhos meu novo mundo se apresentava trazendo a cada dia um motivo a mais para cada descoberta.Em meio a tudo isto, tive uma recepção calorosa pela mulheres da vizinhança.Fui ternamente abraçada por elas com seus sorrisos cativantes, suas palavras confortadoras, suas mãos generosas a me ofertarem o carinho que lhes era nato.Mulheres maduras, mulheres jovens, mães experientes que me trouxeram ao colo e me acalmaram as dúvidas.Mulheres fortes, vigorosas a me servirem de exemplo constante e inesquecível. Mulheres cuidadoras da sua própria prole e da de todas. De repente, minha casa encheu-se de risadas, de confidências ressoadas, de conselhos na antiga sabedoria da vida, de pezinhos lépidos e arteiros, de horas prenhes em fértil convivência feminina.
Essas mulheres, que fazem parte da minha galeria afetiva, que repousam na minha cálida memória de sempre, guardadas no coração e nos álbuns das fotos da família; essas mulheres me ensinaram a tecer.Em suas mãos ágeis eu via, encantada, surgirem peças delicadas de formas, cores e tamanhos que me pareciam verdadeiras obras de magia.Pois, em pouco tempo eu também fui capaz de fazer magias iguais àquelas que me foram ensinadas com afeição traduzida nas laçadas das horas reunidas.
Minha primeira criação foi uma manta vermelha em lãzinha antialérgica macia e delicada pra minha neném que ia chegar, embora na ocasião eu não tivesse a menor ideia do sexo, o que jamais modificou o carinho e o amor presente em cada ato, em cada detalhe da espera.Em dois meses estava pronta e eu exibia toda orgulhosa o resultado da minha arte simples e amorosa.A ocasião mereceu até comemoração com um farto café da tarde cheio de ainda mais guloseimas do que as habituais, só pra não perder a oportunidade de mais um encontro festivo.
Essas mulheres, fontes reveladas da sintonia Universal que nos constitui alma e coração irmanados em permanente profusão de amor, de cuidados, de energia renovadora e força restauradora da harmonia natural, me acolheram e alimentaram a alma sedenta.
Aqueles raros dias de feliz convivência bordaram em mim belos aprendizados dos quais jamais me esqueci e, parafraseando o lindo desfecho dado pela Ana Paula no texto inspirador, repito:
"Segui com olhos de encanto e não desisti."
~~**~~**~~
* Não tenho, no momento, acesso aos álbuns de família, por isso não foi possível postar a foto da referida manta.
Minha primeira criação foi uma manta vermelha em lãzinha antialérgica macia e delicada pra minha neném que ia chegar, embora na ocasião eu não tivesse a menor ideia do sexo, o que jamais modificou o carinho e o amor presente em cada ato, em cada detalhe da espera.Em dois meses estava pronta e eu exibia toda orgulhosa o resultado da minha arte simples e amorosa.A ocasião mereceu até comemoração com um farto café da tarde cheio de ainda mais guloseimas do que as habituais, só pra não perder a oportunidade de mais um encontro festivo.
Essas mulheres, fontes reveladas da sintonia Universal que nos constitui alma e coração irmanados em permanente profusão de amor, de cuidados, de energia renovadora e força restauradora da harmonia natural, me acolheram e alimentaram a alma sedenta.
Aqueles raros dias de feliz convivência bordaram em mim belos aprendizados dos quais jamais me esqueci e, parafraseando o lindo desfecho dado pela Ana Paula no texto inspirador, repito:
"Segui com olhos de encanto e não desisti."
~~**~~**~~
* Não tenho, no momento, acesso aos álbuns de família, por isso não foi possível postar a foto da referida manta.
Imagem: google
