Longe de mim, ao menos, tentar definir o que seja mais próximo da idéia de paraíso, porém, cada um de nós a possui, com toda certeza. Idealizamos esse cenário com todas as nossas melhores tintas e macios pincéis.Adornamos, emolduramos e a guardamos em lugar de destaque, ao alcance dum estalar da mais rasa esperança. Conhecemo-la tão bem que sabemos descrever cada recanto, cada espaço, cada promessa e, depois de termos convocado sua presença, ainda que só na memória-afetiva, tornamos a reconduzi-la ao trono dos planos de vida.
Tenho comigo a impressão de que já variamos bastante de ideais a este respeito.Pra comprovar, façamos uma visitinha aos arquivos da memória risonha nas diferentes fases da vida e nos depararemos com as muitas versões já desejadas.Fomos dando retoques aqui e ali, pinceladas mais fortes, debruns mais suaves, adições novas, descartes e outras modificações, mas não desistimos de manter bem vívido esse local mágico.
Poderia descrever aqui o meu cenário paradisíaco em espaço e situação, mas, creio que o meu ideal não difira muito do da maioria de vocês. Aos 6.1, já me sinto consagradamente segura sobre isso, e me delicio ao ver em meus netinhos mais velhos o surgimento destes gostos ainda bem simples e ao mesmo tempo tão complexos, pra eles.Este lugar sonhado vai desde um colo na hora certa a um picolé saboroso num passeio alegre em família e tais, mas também pode estar num sentimento de alívio e segurança, como revelou minha netinha Valentina ontem, em meio a conversa ao redor da mesa de jantar.
Nós, os adultos falávamos sobre viagens e, em especial, ao Egito, quando virou-se ela pra mim e perguntou:___ Vovó, onde fica o Egito? Respondi, ao que em seguida, ela dispara:
___ Lá tem vacina? Eu digo que não, pros visitantes. E ela arremata:
__ Vovó, você me leva pra la´?
Taí, mais um paraíso descoberto!
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