Ontem,sábado 13, no meio da tarde, ouvi batuques frenéticos.Cheguei na varanda pra descobrir que um bloco carnavalesco bem animado vinha descendo a rua.A bandinha furiosa tocava marchinhas antigas acompanhada pela cantoria dos foliões ao redor.Famílias inteiras, jovens de todas as idades, desde a 1ª até a 3ª e mais, dançavam, jogavam confetes e serpentinas para o ar festejando o momento a plenos pulmões, gravando uma clara mensagem de apego à folia oficial; o carnaval não pode acabar.Não hoje. Não já!E num esforço ferrenho em mantê-lo na agenda do dia, seguiram rua abaixo até que tornaram-se eco na agradável tarde ventosa.
A mim, pareceu natural ver aquelas pessoas brincando distraídas do mundo ao redor.Trazendo pra si algumas horas de descontração e liberdade ante a rotina e as preocupações que, em particular e no geral, nos assolam nesses tempos bicudos.Marcaram o paradigma coletivo brasileiro de que em dias de carnaval nenhum mal pode acontecer.
Ilusão hereditária, perigosa, mas sempre persistida.A vida não segue nosso calendário.E, como lembrete, mostrou que seus ciclos são próprios e caprichosos ao levar embora na segunda-feira de carnaval o artista plástico, professor, historiador e escritor, Israel Pedrosa, um dos grandes nomes da pintura brasileira, discípulo e amigo de Portinari;em que tal conhecimento me reportou a um sábado de carnaval de 2004, data da partida de um dos meus cunhados.
Apesar de contradizer o consciente coletivo, a vida sempre nos chega, por isso e por tudo o mais precisamos sim, de pequenas ilusões, horas distraídas, muito riso e muita fé.
Faço coro ao refrão:
"É preciso estar atento e forte.
Não temos tempo de temer a morte!"
Para saber um pouco mais, visite:
www.aelrj.org.br:israel pedrosa
*(trecho do artigo do site citado acima)
"No bem montado atelier, na casa em que mora no bairro de Icaraí, Niterói, os livros disputam espaço com os quadros. Pintor desde cedo, foi aluno de Portinari aos 16 anos, e desde então tinha interesse por questões teóricas da arte.
Portinari notou que o interesse do aluno ia além da pintura de paisagens: “Ele era muito inteligente e quando começou as aulas me perguntou: “Sabia que o preto na sombra é mais claro que o branco no escuro?”
A pesquisa sobre cores fez de Israel consultor da TV Globo quando a televisão a cores chegou ao país. A Escola de Samba Unidos da Tijuca o homenageou, no carnaval de 86, no enredo “De Cabral à Bienal no país do Carnaval”sobre a história da arte no país.
O livro “ Da cor à cor inexistente” lançado em 77 com o resultado de suas pesquisas está na 12ª edição e é obra básica no ensino superior: ” Nele fui capaz de mostrar como uma cor se altera ao lado da outra e em que percentagem”.
As pesquisas de Israel sobre a “gramática das cores” repercutiram inclusive nos meios científicos. Depois lançou dois outros livros, “O Universo da Cor”, em 1986, que está na 6ª edição e “O Brasil em cartas de Tarô” , com edição única em 1991.
O primeiro foi encomenda do Senac e o segundo um livro de arte onde as cartas do Tarô são representadas por figuras da cultura nacional. O padre Anchieta é O Eremita, o filólogo Antonio Houais é O Sol e , é claro, Tiradentes como O Enforcado.
Israel Pedrosa não é esóterico , o livro foi influência do filho, iniciado no Tarô. Também não pretendia ser escritor. Escreveu “...a Cor Inexistente” por ser mais prático do que as inúmeras palestras sobre o assunto, que lhe tomavam muito tempo.
Mas adquiriu gosto pela coisa. Há 18 anos está escrevendo o livro “10 aulas magistrais”. Nele, além de analisar a obra de dez mestres da pintura como Da Vinci,Van Gogh e Bosch,copia os quadros de todos eles para ilustrar a obra.
Quando o livro for lançado será feita uma exposição com as pinturas copiadas no tamanho original. Ele foi à Itália só para conhecer a cópia do mural , a Batalha de Anghiari, pintado por Da Vinci, que existiu por 50 anos em Florença.
