Minha passagem da adolescência para a juventude decretada, deu-se tão velozmente que assemelhou-se a um rito de passagem desses que lemos em contos e mitos antigos.
Ainda em véspera eu estava me formando normalista, era a oradora da turma, fazia parte da comissão de formatura, cuidava de todos os preparativos das solenidades programadas, e noiva, corria com os acabamentos do enxoval, marcação de igreja, proclamas e preparativos. Assim nos meses finais de 1973 e nos iniciais de1974, vivi uma roda-viva completa.Mas a juventude dos recém-feitos 18 anos dá gás pra tudo isso e sobra entusiasmo pra mais um pouco, se preciso.
Foi nesse pátio em frente ao pavilhão Central do Colégio Brazil, em Niterói que entre risos e choros comemoramos em solenidade interna o término do curso na Escola Normal Zoraida Brazil, turma de 73.
Daí, seguiram-se os dias das praxes formais até o baile de formatura nos salões dum clube à beira-mar.
Mais risos, cantorias, choros e adeuses em meio a alegria da formatura e a tristeza das despedidas. Promessas de novos encontros, me deram naquela ocasião a certeza de que eu, era a única a não poder prometer nada, pois em dois meses estaria casada, rumando para uma vida nova, numa cidade nova, Brasília.
Dito e feito. Enlace cumprido e em janeiro de 74, partíamos nós, eu e o marido, pela estrada afora, rumo à Nova Capital.
Ano seguinte, meu cunhado diria numa conversa que não sabia como tínhamos chegado em Brasília com um mapa que só tinha o Estado do Rio.
Mas chegamos, em clima de lua-de-mel, triunfantes com a façanha e ansiosos nas expectativas.
Logo na entrada do setor urbano, pegamos uma via secundária e sem querer chegamos à outra margem do Lago Paranoá.
Entardecia e avistávamos curiosos a cidade ao longe. Agora era só descobrir como se fazia para alcançá-la. Depois de idas e retornos, caímos por sorte, na via que levava à ponte Costa e Silva e voilá: o centro da cidade dava seus contornos.
A cidade nova, a partir daquela data, a nossa nova cidade, foi se tornando cada vez mais íntima, mais conhecida transformando-nos em cidadãos brasilienses.Muitos dos meus planos profissionais tiveram de ser adiados até os 25 anos, em função das gestações sucessivas, mas sempre bem-vindas de meus quatro filhos.Todos candangos de fato!
Foram anos de muitas fraldas, mamadeiras, joelhos ralados e festas de aniversário que pude , privilegiadamente, acompanhar passo a passo.Quando finalmente me dispus a retomar a profissão, fui lecionar no Colégio Sacre-Coeur du Marie onde os quatro estudavam.



